Nesta quarta-feira (19) comemora-se o dia do cinema nacional, já que completam 115 anos da primeira filmagem realizada no Brasil. Em 19 de junho de 1898, Afonso Segreto chegou ao Rio de Janeiro pela Baía de Guanabara e registrou as primeiras imagens em movimento no país. Nestes 115 anos, muita coisa boa (e ruim) foi feita no cinema brasileiro. Veja 10 dos melhores filmes já realizados por aqui.

Limite (1931), de Mário Peixoto

LimiteConsiderado o primeiro grande filme brasileiro, Limite conseguiu atingir um grande prestigio principalmente pela campanha de marketing de seu diretor, Mário Peixoto, que escreveu um artigo para a imprensa assinando como o cineasta russo Serguei Eisenstein sobre o filme. O artifício ajudou, mas não seria suficiente se o longa, sobre três náufragos em um pequeno barco, não fosse realmente bom. Ainda hoje tem quem considera Limite o melhor filme brasileiro.

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O Pagador de Promessas (1962), de Anselmo Duarte

O Pagador de PromessasBaseado na obra de Dias Gomes, O Pagador de Promessas surpreendeu até mesmo os apoiadores do cinema nacional ao ser o grande vencedor da Palma de Ouro no festival de Cannes de 1962, o único brasileiro a conquistar tal prêmio. A surpresa maior é que o diretor não é um dos grandes nomes da época, mas o ator Anselmo Duarte, considerado um dos galãs do cinema na época. Com Glória Menezes e Leonardo Villar, o filme conta a história de um homem que faz uma promessa no Candomblé para salvar seu burro, criando uma polêmica na igreja católica.

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Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), de Glauber Rocha

Deus e o Diabo na Terra do SolEnquanto Anselmo Duarte era premiado na França, o grande nome do cinema nacional era Glauber Rocha, que lançava em 1964 sua principal obra, Deus e o Diabo na Terra do Sol. Símbolo maior do Cinema Novo, o longa foi lançado pouco depois do Golpe Militar, mas já traz em seu enredo problemas que continuaram em pauta durante a ditadura.

O filme segue Manoel, um sertanejo que mata o seu patrão após uma injustiça e acaba se juntando ao grupo de um líder religioso e depois ao grupo do cangaceiro Corisco, que passa a ser perseguido pelo matador Antônio das Mortes.

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O Bandido da Luz Vermelha (1968), de Rogério Sganzerla

O Bandido da Luz Vermelha

Após a consolidação do Cinema Novo como um novo estilo de filmar no Brasil, um grupo de cineastas decidiu criar algo diferente. Inspirados pelo filme A Margem, de Ozualdo Candeias, gente como Júlio Bressane e Rogério Sganzerla criaram o Cinema Marginal.

Um dos símbolos maiores do movimento foi O Bandido da Luz Vermelha, de Rogério. Livremente inspirado em um serial killer famoso na época, o filme mostra Jorge, um criminoso sedutor, sempre com uma lanterna vermelha, que provoca um grande caos na cidade de São Paulo.

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Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), de Bruno Barreto

Dona Flor e Seus Dois MaridosFilho de Luis Carlos Barreto, um dos grandes nomes do Cinema Novo, Bruno Barreto lançou em 1976 a adaptação para o cinema da obra de Jorge Amado, Dona Flor e Seus Dois Maridos, que permaneceu durante 34 anos como o filme brasileiro mais visto, com um público de mais de 10 milhões de pessoas.

Com um toque de sensualidade, principalmente pela beleza de Sônia Braga no papel principal, o filme conta a história de uma cozinheira, casada com um malandro, que fica viúva e passa a se encontrar com o fantasma do ex-marido depois de se casar novamente com um recatado farmacêutico.

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Carlota Joaquina (1995), de Carla Camurati

Carlota JoaquinaApós um período nebuloso no cinema brasileiro, que culminou com o fim da Embrafilme, produtora e distribuidora estatal dos filmes nacionais, foi a atriz Carla Camurati que indicou que havia luz no fim do túnel. Mesmo que Carlota Joaquina hoje não tenha muito valor, na época representou a retomada do cinema nacional. A partir de então, teve início um movimento para não apenas reerguer a cinematografia, mas torna-la mais sólida do que jamais tenha sido.

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Central do Brasil (1998), de Walter Salles

Central do BrasilTrês anos depois do filme de Camurati, foi a vez de Walter Salles mostrar que o Brasil ainda tinha muito a comemorar com o seu cinema. Central do Brasil não chegou à Palma de Ouro de O Pagador de Promessas, mas conquistou o Urso de Ouro, em Berlim, de melhor filme, além do Urso de Prata de melhor atriz, para Fernanda Montenegro. A dama do teatro, que vive uma escrevinhadora de cartas que ajuda um órfão a reencontrar seu pai, ainda seria a primeira brasileira indicada ao Oscar de melhor atriz, enquanto Central do Brasil, foi um dos candidatos a melhor filme estrangeiro.

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Cidade de Deus (2002), de Fernando Meirelles

Cidade de Deus

Se Walter Salles mostrou ao mundo, e aos críticos, que o Brasil sabia fazer cinema, foi o publicitário Fernando Meirelles quem mostrou isto ao povo brasileiro, com Cidade de Deus. Com uma estrutura inspirada em videoclipes, e baseado em histórias verdadeiras descritas por Paulo Lins, o filme mostra o crescimento do crime organizado do Rio de Janeiro entre as décadas de 60 e 80. Logo o filme se tornou um fenômeno de público, conquistando a melhor bilheteria da retomada, com 3,2 milhões de pessoas. O longa ainda seria indicado ao Oscar de melhor direção, melhor roteiro adaptado, melhor fotografia e melhor edição.

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Tropa de Elite (2007), de José Padilha

Tropa de EliteNão demorou muito para que Cidade de Deus perdesse o reinado como filme nacional favorito dos brasileiros. Em 2007, o documentarista José Padilha lança Tropa de Elite, sobre a relação entre o Batalhão de Operações Especiais da PM do Rio de Janeiro, a polícia e os bandidos. Com diversos bordões, o filme logo caiu no gosto das pessoas. Apesar de não ter batido a bilheteria do filme de Meirelles, Tropa de Elitefoi visto por milhares de pessoas de forma ilegal, já que o longa vazou na internet pouco antes de ser lançado. Vencedor do Urso de Ouro de melhor filme em Berlim, o thriller ainda teve uma continuação que é hoje o filme brasileiro mais visto, desbancando Dona Flor e Seus Dois Maridos, com 11 milhões de espectadores.

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O Som Ao Redor (2012), de Kleber Mendonça Filho

O Som Ao RedorApesar do crescimento da indústria cinematográfica brasileira, com comédias que atingem um público de milhares de pessoas, muitos ainda viam com certo descrédito o cinema brasileiro. Em 2012, porém, um crítico mostrou que muito ainda precisava ser feito. O pernambucano Kleber Mendonça Filho, na rua de sua casa, filmou O Som ao Redor, um suspense social sobre a relação entre os vizinhos. Antes mesmo de ser lançado no Brasil, o filme rodou o mundo arrancando grandes elogios e sendo inclusive considerado um dos dez melhores filmes de todo o mundo em 2012 no The New York Times, além de conquistar prêmios em diversos festivais, indicando que muita coisa boa está sendo feita no país.

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