Mazzaropi

MazzaropiA alguns anos, o crítico de cinema Celso Sabadin me disse que todo documentário tem a obrigação de documentar. Vejo agora que o cineasta Celso Sabadin pratica o que prega em Mazzaropi.

Para começar, ele reúne um belo time de depoentes para falar da vida e obra do cineasta paulista. Alguns dos entrevistados, como a apresentadora Hebe Camargo e o cineasta Pio Zamuner, já morreram. Coube ao filme deixar registrado suas falas.

Outro fator que joga a favor do filme é a honestidade ao tratar de assuntos delicados. A homossexualidade e a doença que finalmente o vitimou, temas que Amacio Mazzaropi teve de esconder publicamente, são narradas sem rodeios.

Para falar da obra de Mazzaropi é necessário lidar com o conceito de caipira, esteriótipo ao qual pertence Jeca Tatu, seu personagem mais marcante. O documentário começa com esse intuito, mas se alonga demais nessa tarefa. São aproximadamente dez minutos sem que se veja o rosto do personagem título da fita logo em sua abertura. Tal explicação poderia ser mais breve, ou deslocada mais para adiante, ou diluída no decorrer da duração do filme.

Outra falha está na escolha dos grafismo que anunciam os entrevistados. A fonte das letras não é atraente e dá um ar amador a Mazzaropi. Faltou um pouco de apuro estético nessa área.

O lado bom é que, no que realmente importa, o filme caminha de forma satisfatória. Com uma dose de bom humor, Mazzaropi faz jus a seu protagonista e deixa registrada a jornada dessa figura fundamental da história do cinema brasileiro.















Crítico de cinema e membro da Abraccine, Edu Fernandes mantém o blog CineDude. É colaborador do site SaraivaConteúdo e tem textos publicados em diversos veículos virtuais. Frequentemente fala sobre cinema no programa Revista da Cidade (TV Gazeta)